A inclusão ainda surpreende.
E isso já diz muito.
Quando uma pessoa com deficiência ocupa um espaço comum, ainda há quem olhe duas vezes.
Quando alguém neurodivergente participa ativamente de uma rotina, ainda há quem chame de “exemplo”.
Quando a diversidade aparece de forma natural, ainda é vista como algo fora do comum.
Mas por quê?
Talvez porque, durante muito tempo, esses espaços não foram pensados para todos.
Foram construídos para um padrão e tudo que foge dele parece novidade.
Só que inclusão não deveria causar estranhamento.
Deveria ser o esperado.
Quando incluir vira destaque, é sinal de que ainda estamos longe do ideal.
Porque o que é natural não chama atenção.
O que é justo não vira manchete.
O que é cotidiano não precisa ser explicado.
E ainda assim, seguimos tratando a inclusão como algo extraordinário.
Celebramos quando alguém é incluído, quando, na verdade, deveríamos questionar por que tantas vezes isso não acontece.
A exceção não pode ser o acesso.
A exceção não pode ser o pertencimento.
A exceção não pode ser o respeito.
Incluir não é fazer mais.
É deixar de excluir.
É repensar estruturas.
É rever atitudes.
É perceber que o problema nunca esteve nas pessoas,
mas nos espaços que não estavam preparados para elas.
Enquanto a inclusão for vista como algo raro,
seguiremos reforçando a ideia de que nem todos pertencem.
E esse talvez seja o maior erro.
Porque conviver não é abrir espaço de vez em quando.
É construir uma realidade onde ninguém precise esperar por uma oportunidade de existir.
A verdadeira inclusão não deveria ser exceção.
Deveria ser regra.
Conviver é aprender juntos, no tempo de cada um.
Valterlicio
Bacharel em Direito, Conselheiro Tutelar e Professor de capoeira



