Um café, boas conversas e muitas histórias para compartilhar. Foi nesse clima que aconteceu o “Café com Prosa”, evento que marcou o início do Programa Estação de Memórias, iniciativa que pretende preservar e valorizar a história ferroviária de Betim por meio da participação da própria comunidade.
Realizado na Casa de Cultura Josephina Bento, o encontro reuniu moradores, ferroviários, servidores públicos e pessoas que vivenciaram de perto a época em que a ferrovia desempenhava papel fundamental no desenvolvimento do município.
A proposta do programa é construir um acervo coletivo, reunindo fotografias, documentos, objetos e relatos que ajudem a contar a trajetória da ferrovia na cidade. O material será utilizado na implantação do futuro Museu Ferroviário de Betim, que funcionará na antiga estação ferroviária.

Para o secretário municipal de Cultura, Thiago Flores, o projeto representa um importante compromisso com as futuras gerações.
“Daqui 10, 15 ou 20 anos, quem está nascendo hoje terá a oportunidade de conhecer a importância que a ferrovia teve para Betim. Muitas pessoas da minha geração não chegaram a ver o trem de passageiros circulando pela cidade, mas agora essa história poderá ser preservada e compartilhada”, destacou.
Entre os participantes estava o aposentado Israel de Jesus, que relembrou momentos vividos na estação ferroviária e demonstrou entusiasmo com a iniciativa.
“Eu vivi muita coisa aqui. Vi o movimento da estação, o desembarque de animais, o comércio chegando à cidade. Conheço muitas histórias e estou à disposição para ajudar a construir essa memória”, afirmou.
Segundo o superintendente de Patrimônio, André Bueno, preservar um patrimônio histórico vai além da conservação da estrutura física.
“Um patrimônio precisa ter uso, significado e participação da comunidade. A estação ferroviária será transformada em um museu que ajudará a fortalecer a educação patrimonial e manter viva a história de Betim”, explicou.

Para muitos moradores, o projeto representa a oportunidade de reviver lembranças e garantir que parte importante da identidade do município não seja esquecida.
“O trem foi muito importante para Betim. Essa estação de memórias permitirá que essa história seja relembrada, recontada e revivida pelas próximas gerações”, destacou a servidora Eni.
Mais do que um encontro, o Café com Prosa foi o primeiro passo de um projeto que pretende transformar recordações individuais em patrimônio coletivo, preservando a memória ferroviária e fortalecendo a identidade histórica de Betim.
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